BRIGADA DE INCÊNDIO PRA QUÊ?

BRIGADA DE INCÊNDIO PRA QUÊ?

Em um País desproporcional em termos de estrutura no seu desenvolvimento, temos grandes empresas com sedes físicas em diversos Estados, algumas com unidades em mais de um Estado.

Como cada Estado da Federação atuam de forma diferenciada nas instalações dessas empresas, temos casos absurdos de falta de respeito com as Normas Nacionais de Segurança.

Nestes nossos embaraços de segurança regional, temos como base de apoio sobre a segurança contra incêndio no Brasil, e em especial, sobre as BRIGADAS DE INCÊNDIOS destas empresas a ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas que teve sua fundação no ano de 1940 e foi quem começou com uma ampla força no desenvolvimento de normas de segurança em nosso país.

Para termos uma ideia, o Brasil em 1872, no primeiro censo oficial, tinha uma população de oito milhões e quatrocentas mil pessoas livres e de um milhão e meio de escravos, num total de nove milhões e novecentos mil habitantes, sendo que o Estado de São Paulo tinha seiscentos e oitenta mil pessoas livres e cento e cinquenta e seis mil escravos, e nessa data a cidade de São Paulo tinha apenas trinta mil habitantes, era a décima cidade brasileira. Portanto o Brasil em aproximadamente cento e quarenta anos passou de dez milhões para cento e noventa e seis milhões de habitantes, com mais de cento e vinte milhões morando nas cidades.

A dinâmica das cidades brasileiras que se modernizam para serem competitivas, dentro dos mercados globais de segurança contra incêndio no Brasil, aumenta a complexidade da produção e dos serviços que, paralelamente às exigências da população urbana, tem provocado o aumento dos riscos de incêndios nas edificações. Para atender a população são implantados grandes depósitos de materiais combustíveis e materiais perigosos, criando locais com enorme potencial de incêndio.

Precisamos nos armar com as ferramentas de projeto, com o controle dos materiais, garantir a construção mais segura e implantar os procedimentos de segurança para uma operação pela qual são minimizados os riscos.

A maioria dos municípios brasileiros não está preparada para essa enorme tarefa. Aprovações de projetos, inspeções e o Habite-se no quesito de SCI – Segurança Contra Incêndio têm sido insatisfatórios e às vezes calamitosas, chegando em casos de sinistros com grandes perdas de vidas.

Tem sido os Estados, na maioria das vezes, que mantêm em convênio com os municípios os serviços de bombeiros, que fazem as avaliações e inspeções nas edificações. Os municípios brasileiros continuam a crescer, principalmente nas áreas urbanas, exigindo um aumento da infraestrutura de SCI.

A produção nas áreas rurais é das maiores do mundo, exigindo grandes silos de armazenamento e agroindústria para beneficiamento, tendo como consequência riscos de grandes incêndios e explosões.

Todos os países têm aprendido com os grandes incêndios, com o Brasil não foi diferente. A urbanização alucinante de São Paulo provocou um aumento brutal do risco de incêndios na cidade, que culminou com os incêndios dos edifícios Andraus e Joelma, com um grande número de vítimas humanas, não apenas as que morreram, mas com todas as pessoas envolvidas diretamente nesses incêndios que tiveram suas vidas afetadas, causando mudanças comportamentais e traumas psicológicos pós-incêndio. Indiretamente, toda a população brasileira foi afetada, pois a televisão apresentou ao vivo essas tragédias.

Seguiram-se outras tragédias com vitimas na cidade do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, entre outras.

Essas tragédias provocaram mudanças na legislação, nas corporações de bombeiros, nos institutos de pesquisa e, principalmente, foi iniciado um processo de formação de técnicos e pesquisadores preocupados com essa área de conhecimento.

Sobre o Corpo de Bombeiros, o que podemos falar? É sempre o ultimo a receber meios de prevenção! Enquanto alguns Estados trabalham para melhorar suas infraestruturas, 90% do restante chora por não ter condições de atuação nos combates aos incêndios e também nos resgates em que as unidades atuam.

Recordo-me que no ano de 2006, enquanto eu estava no Estado de SP, em conversa com um Oficial da ativa do Corpo de Bombeiros, lotado na Sé, entregamos algumas indicações/sugestões de como o Corpo de Bombeiros poderiam se tornar unidades independentes da Policia Militar. Como sabemos das dificuldades em relação ao proceder com ideias dentro da corporação, ficamos apenas na ideia, mas alguns Estados já estão bem adiantado nessa questão.

Nossas ideias não foram para provocar divisões e sim união! Se colocarmos o Nordeste, é a Região nacional que mais sofre por infraestrutura, com a divisão de Comando, O Corpo de Bombeiro teria renda própria e suas necessidades seriam atendidas mais rápidas.

Com visão que temos no momento e os esforços que foram feitos nos últimos anos para chegarmos ao ponto em que estamos. Identificamos que temos de avançar na legislação que deve ser continuamente revisada e atualizada em função das necessidades da sociedade e da evolução tecnológica.

Dizem que a legislação está sempre atrasada em relação à necessidade da sociedade, isso nem sempre é verdade, pois em muitos casos ela é capaz de atuar de maneira a provocar mudanças nos procedimentos errados arraigados na sociedade. No Brasil muitos deixam para Deus a total responsabilidade pelas tragédias por eles deflagradas, o que é uma pratica nefasta, pois seria possível minimizar as tragédias por meio de uma legislação adequada.

Muito pela ausência de grandes incêndios e de incêndios com grande número de vítimas, o “problema incêndio”, até o  início dos anos 70 do século passado, era visto como algo que dizia mais respeito ao corpo de bombeiros.

A regulamentação relativa ao tema era esparsa, contida nos Códigos de Obras dos municípios, sem quaisquer incorporações do aprendizado dos incêndios ocorridos no exterior, salvo quanto ao dimensionamento da largura das saídas e escadas e da incombustibilidade de escadas e da estrutura de prédios elevados.

O Corpo de Bombeiros possuía alguma regulamentação, advinda da área seguradora, indicando em geral a obrigatoriedade de medidas de combate a incêndio, como a provisão de hidrantes e extintores, além da sinalização desses equipamentos.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tratava do assunto por intermédio do Comitê Brasileiro da Construção Civil, pela Comissão Brasileira de Proteção Contra Incêndio, regulamentando mais os assuntos ligados à produção de extintores de incêndio.

Inexistia, por exemplo, uma norma que tratasse de saídas de emergência.

Toda a avaliação e classificação de risco eram decorrência do dano ao patrimônio, sendo a única fonte reguladora dessa classificação a Tarifa Seguro Incêndio do Brasil (TSIB).

Talvez possamos até afirmar que a situação do País era semelhante à dos EUA em 1911.

E uma conclusão óbvia é a de que nosso País não colheu o aprendizado decorrente dos grandes incêndios ocorridos nos EUA ou em outros países.

Podemos citar algumas tragédias, como: Em 17 de dezembro de 1961, em Niterói (RJ) no Gran Circo Norte-Americano, tendo como resultado 250 mortos e 400 feridos (fonte: http://www2.uol.com.br/JC/_2000/1604/cd1604m.htm.); Ala 13 da montadora de automóveis Volkswagen, em São Bernardo do Campo, ocorrido em 18 de dezembro de 1970, com uma vitima fatal; Em 24 de fevereiro de 1972, no edifício Andraus, na cidade de São Paulo, Do incêndio resultaram 352 vítimas, sendo 16 mortos e 336 feridos; 1º de fevereiro de 1974, incêndio no Edifício Joelma, gerou cento e setenta e nove mortos e trezentos e vinte feridos; em 14 de fevereiro de 1981, no Edifício Grande Avenida, prédio esse localizado na Avenida Paulista, e que deixou saldo de dezessete mortos.

Com esses fatos tivemos diversos  eventos na área de SCI para a melhoria das normas de segurança, contudo, o nosso país, não vai junto com essa regra.

Com todo os dados recentes sobre incêndios em usinas, empresas, residências, edifícios e muitos outros locais públicos, e todos com vitimas, podemos dizer que dos Estados da Federação Nacional do Brasil, dos 27 Estados, apenas 5 tem uma qualidade na área de SCI.

O Norte e Nordeste são a área que mais sofre com isso.

Para termos uma ideia, podemos falar do Estado da Bahia com uma estimativa para o ano de 2011 de 14.097.534 em sua população total e com sua Extensão Territorial de 564.830,859 km², com 417 municípios, tem apenas 22 unidades de Corpo de Bombeiros, com sua maior concentração na Capital baiana – Salvador.

O Estado ainda não possui um Código de Incêndio Próprio, nem Normas Técnicas, apenas seguem diretrizes municipais para a fiscalização da área de SCI.

Só no ano passado, a Bahia teve registrado cerca de 457 incêndios. Desse total, 57 gravíssimos, nos últimos 10 anos foram mais de 7000 casos com percas em valores incontáveis para os empresários e para a população. Prova disso foram os incêndios na Operadora OI e no Laboratório de  Pesquisas da UFBA.

O porquê desta nossa abordagem?

As empresas acham que investir em uma brigada de incêndio é ter gastos.

O que sairia mais barato para a operadora, fazer a brigada ou custear o prejuízo com a queda do seu sistema? E para a UFBA?

Por tal motivo, decidimos ampliar o conhecimento sobre esse fato aqui em nossa pagina, assim se segue um breve resumo sobre “O que é uma BRIGADA DE INCÊNDIO?

A Brigada de Incêndio é basicamente um grupo organizado de pessoas que são especialmente capacitadas para que possam atuar numa área previamente estabelecida, na prevenção, abandono e combate a um princípio de incêndio, e que também estejam aptas a prestar os primeiros socorros a possíveis vítimas.

O brigadista e suas funções

Os brigadistas devem ser pessoas da própria empresa, gozar de boa saúde, boa condição física e conhecer as instalações. Deve ser treinado para ser capaz de identificar situações de emergência, acionar alarme e corpo de bombeiros, cortar energia quando necessário, realizar primeiros socorros, controlar pânico, guiar a saída das pessoas para abandono da área, combater princípios de incêndio.

O treinamento é requisito indispensável para que seja aprovado autos de vistoria do Corpo de Bombeiros e deve ter periodicidade anual.

Uma das irregularidades frequentes encontradas nas dependências das empresas com relação à prevenção contra incêndios diz respeito às saídas de emergências. A lei diz:

Nenhuma porta de entrada, ou saída, ou de emergência de um estabelecimento ou local de trabalho, deverá ser fechada a chave, aferrolhada ou presa durante as horas de trabalho.

Durante as horas de trabalho, poderão ser fechadas com dispositivos de segurança, que permitam a qualquer pessoa abri-las facilmente […]

A NR 23 orienta sobre a proteção contra incêndios e diz que Todas as empresas deverão possuir:
a) Proteção contra incêndio;
b) Saídas suficientes para a rápida retirada do pessoal em serviço, em caso de incêndio;
c) Equipamento suficiente para combater o fogo em seu início;
d) Pessoas adestradas no uso correto desses equipamentos.

Considero muito importante a criação deste grupo em todas as empresas, em casos de estabelecimentos de saúde, a responsabilidade é ainda maior, visto que as pessoas que precisam ser retiradas do ambiente na eventual ocorrência de fogo, estão em situação atípica, acamados, debilitados, colaborando para aumentar a dificuldade de evacuação do recinto. Por isso, o treinamento deve ser mais direcionado e reforçado.

Todos os anos no hospital realizam treinamentos, para os brigadistas que já existem e formamos novos, sempre com o incondicional apoio do corpo de bombeiros, uma equipe sempre pronta para colaborar. Se na sua empresa for necessário realizar este treinamento, entrem em contato com a nossa Empresa que iremos a sua cidade para oferecermos o treinamento.

As normas determinam que as empresas devem ter planos contra incêndios, saídas de emergência, extintores e outros equipamentos de proteção, mas de nada adiantará este aparato, se a empresa não contar com pessoas capacitadas e prontas para guiar os colegas de trabalho para as saídas, saber lidar com os extintores, qual deles usar para cada caso de incêndio, sendo assim é extremamente importante que se crie a brigada de incêndio em todas as empresas e que sejam devidamente treinadas. Só assim poderá contar com pessoas preparadas e aptas a agir em caso de inícios de incêndios.

Em todos os estabelecimentos ou locais de trabalho só devem ser utilizados extintores de incêndio que obedeçam às normas brasileiras ou regulamentos técnicos do INMETRO […]

Todas as medidas tomadas para proteção contra incêndios no ambiente de trabalho são importantes e devem ser implementadas para que se por acaso acontecer o sinistro, os resultados sejam amenizados pelas ações que foram tomadas preventivamente.

Assim, damos por fim esse nosso breve resumo sobre as necessidade de se ter uma Brigada de Incêndio.

Lembramos que, o custo de se ter uma Brigada é menor que refazer uma empresa das Cinzas.

Por Rodrigo Santana, Especialista em Segurança Contra Incêndio e Pânico em Edificações.

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Sobre grutaresgate
A nossa Empresa dispõe Treinamentos de alta performance nas áreas Corporativas em Segurança do Trabalho e Meio Ambiente, e neste segmento de serviços tem como missão treinar seus clientes no mais alto nível de ensino, instruindo e formando profissionais em segurança e meio ambiente nas áreas industrial, comercial, prestação de serviços e condominial em todo o território brasileiro. Prestando Consultoria com sucesso a nossa Empresa, consolidou-se no mercado pela dinâmica e pelas novas técnicas abordadas em seus treinamentos como uma das melhores empresas do setor. Com Executivos Especialistas em Engenharia de Segurança e Meio Ambiente e larga experiência industrial, a Rodrigo Santana Consultoria e Treinamentos – Conhecida em todo território nacional como o Grupamento Tático Resgate tem a maioria dos seus técnicos atuando em diversas áreas de âmbito nacional. A empresa, atualmente objetiva através de um aperfeiçoamento contínuo, colocar a sua experiência à disposição dos clientes, realizando com presteza trabalhos técnicos de diferentes tipos, tendo sempre como meta o melhor atendimento. “A qualidade da decisão é como a calculadora arremetida de um falcão, o bom combatente deve ser flexível no seu ataque e rápido na decisão.” Sun Tzu.

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